Para Edson Braga, prosperidade, ambição e crescimento podem ganhar novo significado quando deixam de servir apenas ao indivíduo e passam também a gerar oportunidades, empregos, conhecimento e transformação ao redor
Durante muito tempo, simplicidade e humildade foram associadas à ideia de desejar pouco. Crescer demais, acumular recursos ou construir grandes empresas, por outro lado, muitas vezes passou a ser interpretado como sinal de ambição excessiva.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, essa relação merece ser analisada com mais profundidade.
Em uma reflexão sobre prosperidade, empreendedorismo, responsabilidade e propósito, Edson propõe uma pergunta desconfortável: pensar pequeno é realmente uma demonstração de humildade ou, em determinadas situações, pode representar apenas medo de crescer ou uma visão limitada sobre aquilo que os recursos poderiam produzir?
Para ele, humildade não deveria significar reduzir o tamanho dos sonhos.
Pode significar crescer sem esquecer por quem e para quê se está crescendo.
Prosperidade pode representar mais do que conforto pessoal
Quando alguém imagina uma vida próspera, é natural pensar primeiro em benefícios individuais.
Uma casa melhor.
Mais segurança.
Conforto para a família.
Viagens.
Tempo.
Liberdade.
Para Edson Braga, não existe nada de errado nesses desejos.
O problema surge quando a compreensão sobre prosperidade termina exclusivamente naquilo que alguém consegue consumir.
Nesse momento, uma pergunta diferente pode ampliar a reflexão:
Quem poderia ter sua vida transformada se mais recursos passassem pelas nossas mãos?
Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, essa mudança de perspectiva faz com que prosperidade deixe de significar apenas capacidade de consumo e passe a representar também capacidade de construção.
Existe uma diferença importante entre acumular e multiplicar.
Entre possuir e produzir.
Entre buscar mais para alimentar exclusivamente o próprio ego e desejar mais recursos para ampliar o impacto que se é capaz de gerar.
Dinheiro pode funcionar como potência
Ao longo da história, o dinheiro recebeu interpretações contraditórias.
Há quem o trate como objetivo máximo.
Também existem aqueles que o enxergam quase como algo moralmente negativo.
Edson Braga propõe uma leitura diferente.
Para ele, dinheiro pode ser entendido como potência.
É capacidade de fazer alguma coisa acontecer.
Pode financiar luxo e vaidade.
Mas também pode financiar educação.
Pode sustentar excessos.
Ou ajudar a construir hospitais.
Pode alimentar o ego.
Mas também financiar empresas capazes de criar milhares de empregos.
Pode servir apenas ao consumo ou ser utilizado para transformar uma comunidade.
Nesse sentido, o dinheiro não produz caráter automaticamente.
Ele amplia possibilidades e, muitas vezes, aumenta o alcance das características que já existem em quem o administra.
Nas mãos de alguém dominado pelo ego, pode ampliar o próprio ego.
Nas mãos de quem possui consciência sobre sua responsabilidade, pode ampliar a capacidade de construir.
Uma empresa pode produzir muito mais do que lucro
Essa perspectiva também modifica a maneira como Edson José Bandeira Braga Filho observa o empreendedorismo.
Para ele, empresas precisam gerar lucro.
Sem resultado financeiro, existe pouca capacidade de investir, inovar, atravessar crises e garantir sustentabilidade no longo prazo.
O lucro, portanto, é necessário.
Mas não precisa ser a única maneira de medir o valor produzido por uma organização.
Empresas criam empregos.
Formam profissionais.
Desenvolvem fornecedores.
Movimentam regiões.
Pagam impostos.
Financiam inovação.
Geram produtos e serviços.
Criam oportunidades para famílias.
Quando uma empresa saudável cresce, o crescimento pode alcançar muito mais do que seus acionistas.
Existe uma rede inteira ao redor da organização que também pode se beneficiar.
Por isso, para Edson Braga, crescimento empresarial também pode representar responsabilidade.
Até onde deveria ir a capacidade de construir?
A reflexão leva a uma pergunta importante.
Se uma pessoa possui capacidade para construir algo capaz de melhorar a vida de muitas outras, existe alguma responsabilidade em utilizar essa capacidade?
Edson José Bandeira Braga Filho não apresenta uma resposta definitiva, mas considera que a pergunta merece ser feita.
Nem todo mundo precisa construir uma grande companhia.
Nem toda trajetória precisa resultar em patrimônio elevado.
Mas também não é necessário diminuir deliberadamente a própria capacidade para demonstrar humildade.
Se alguém possui condições de construir, pode construir.
Se consegue empregar, pode gerar empregos.
Se possui conhecimento, pode ensinar.
Se consegue investir, pode investir.
Se possui influência suficiente para abrir portas, pode utilizá-la também em benefício de outras pessoas.
Nesse contexto, grandeza deixa de estar relacionada apenas ao tamanho da conquista.
Passa a considerar aquilo que essa conquista coloca em movimento.
Ambição também precisa amadurecer
Para Edson Braga, talvez o problema não esteja na ambição em si.
Pode estar em uma ambição que ainda não amadureceu.
Existe a ambição que diz:
“Quero ser maior.”
E existe aquela que pergunta:
“Quanto mais conseguirei construir se eu crescer?”
A diferença parece pequena, mas altera completamente a direção.
A primeira permanece concentrada exclusivamente no indivíduo.
A segunda começa nele, mas continua nas pessoas e oportunidades que poderão surgir a partir de seu crescimento.
Durante uma fase da vida, pode ser natural desejar conquistas como forma de provar capacidade.
Mostrar que conseguiu.
Que venceu.
Que chegou.
Com o tempo, porém, Edson acredita que a própria ambição pode evoluir.
O reconhecimento deixa de ser o objetivo central.
E a capacidade construída passa a ser analisada também por sua utilidade.
Talvez um dos estágios mais maduros da ambição aconteça justamente quando ela deixa de buscar aplausos e começa a procurar impacto.
A semente só revela seu potencial quando é colocada em movimento
Para ilustrar sua visão sobre prosperidade, Edson José Bandeira Braga Filho utiliza a imagem de uma semente.
Guardada, ela permanece sendo apenas uma semente.
Pode ser protegida e preservada.
Mas somente quando é plantada consegue revelar aquilo que carregava.
Pode se transformar em árvore.
A árvore gera novas sementes.
E aquilo que começou pequeno pode, ao longo do tempo, transformar-se em uma floresta.
Segundo Edson Braga, recursos podem funcionar de maneira semelhante.
Capital guardado pode preservar valor.
Mas capital colocado em movimento também pode criar valor.
Pode financiar uma empresa.
A empresa desenvolve profissionais.
Esses profissionais transformam famílias.
E famílias podem alterar a trajetória de novas gerações.
Nesse sentido, prosperidade talvez esteja relacionada não apenas ao que alguém consegue guardar, mas também àquilo que consegue colocar em movimento.
Receber e entregar fazem parte do mesmo processo
Edson também utiliza a imagem dos rios.
Eles permanecem em movimento porque recebem água e continuam entregando.
A água chega e segue seu caminho.
A metáfora pode ser aplicada não apenas ao dinheiro.
Também vale para conhecimento.
Influência.
Experiência.
Relacionamentos.
Tempo.
Oportunidades.
Se alguém abriu uma porta para nós, talvez possamos abrir outra para alguém.
Se uma pessoa acreditou em nosso potencial antes dos resultados aparecerem, podemos fazer o mesmo por outra pessoa.
Se tivemos acesso ao conhecimento, podemos compartilhá-lo.
Se construímos recursos, podemos direcionar parte deles para algo que ultrapasse nossas necessidades individuais.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, prosperidade também pode ser entendida como circulação.
Propósito não pode servir como justificativa para ganância
Existe, entretanto, uma armadilha nessa reflexão.
É possível utilizar palavras como propósito, impacto ou responsabilidade apenas como justificativas sofisticadas para continuar acumulando.
Uma pessoa pode afirmar que deseja crescer para ajudar mais pessoas, enquanto na prática suas escolhas continuam concentradas exclusivamente em si mesma.
Por isso, Edson Braga apresenta uma pergunta importante:
Quanto daquilo que dizemos querer fazer no futuro já aparece em nossa maneira de viver hoje?
Se alguém afirma que será generoso quando possuir muito, talvez deva aprender a praticar generosidade enquanto ainda possui pouco.
Responsabilidade também não deveria começar apenas depois de determinada conquista financeira.
Propósito não pode ser apenas uma promessa futura.
Dinheiro amplia a capacidade de agir.
Mas dificilmente cria valores que nunca foram praticados antes.
Grandeza e tamanho não são sinônimos
Edson José Bandeira Braga Filho também ressalta que defender grandes sonhos não significa afirmar que todas as pessoas precisam construir grandes patrimônios ou empresas.
Existem vidas extraordinárias em escalas pequenas.
Professores podem transformar gerações.
Pais e mães podem construir famílias sólidas.
Profissionais podem servir comunidades inteiras.
Pessoas desconhecidas publicamente podem produzir impactos profundos naqueles ao seu redor.
Por isso, grandeza não deve ser confundida com tamanho.
Mas o contrário também é válido.
Uma pessoa não precisa reduzir a própria capacidade apenas para parecer humilde.
A questão central está na razão que acompanha o crescimento.
A pergunta maior sobre prosperidade
Para Edson Braga, talvez a pergunta mais relevante não seja quanto alguém deseja conquistar.
A questão principal pode ser:
Por que essa pessoa deseja conquistar?
Quando o propósito é exclusivamente individual, qualquer crescimento pode terminar em acumulação.
Mas quando a responsabilidade cresce junto com os recursos, prosperidade pode assumir outros significados.
Serviço.
Contribuição.
Oportunidade.
Impacto.
Legado.
Edson afirma continuar acreditando na criação de riqueza, em grandes empresas e em sonhos ambiciosos.
Mas defende principalmente uma prosperidade que não termine em quem prosperou.
Porque talvez a medida da riqueza não esteja apenas naquilo que alguém consegue acumular.
Pode estar também na quantidade de vida, conhecimento, emprego, oportunidades e possibilidades que consegue colocar em movimento a partir dos recursos que passaram por suas mãos.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, humildade não significa obrigatoriamente pensar pequeno.
Talvez signifique justamente possuir coragem para crescer sem acreditar que tudo aquilo que foi conquistado existe exclusivamente para benefício próprio.
